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El Niño acende o alerta para as OSCs: preocupação sim, braços cruzados não!

O avanço do El Niño acende um alerta para os territórios: a tendência é de temperaturas mais altas e alterações no regime de chuvas, o que pode agravar a pressão sobre o acesso à água, a agricultura, a infraestrutura e os serviços públicos, especialmente em regiões que já convivem com desigualdades. Para as OSCs, entender esse cenário é também pensar em prevenção, direitos e capacidade de resposta.

Foi com esse olhar que a ABONG, realizou, no dia 3 de setembro, a live “El Niño: impactos nos territórios e políticas de adaptação”. O encontro reuniu José Augusto Tosato, coordenador de Acompanhamento de Políticas de Inclusão Socioprodutiva e Sustentabilidade da Casa Civil da Bahia e coordenador do Comitê Estadual de Convivência com o Semiárido, e o prof. Jémison Santos, geógrafo, pesquisador e docente da UESC. A conversa foi mediada por Débora Rodrigues e Renato Cunha, da Colegiada ABONG Bahia e Sergipe, que tomou a iniciativa de colocar o tema em debate.

Mais do que acompanhar previsões, a discussão chamou atenção para o que precisa ser feito antes que a emergência chegue. O cenário climático preocupa, mas não adianta esperar o problema acontecer para depois correr atrás de respostas. É preciso planejamento, prevenção e políticas públicas capazes de chegar aos municípios e às comunidades.

E existe uma questão que não pode ficar de fora: o racismo climático. Os impactos das mudanças climáticas não atingem todas as pessoas da mesma maneira. Quem já enfrenta desigualdade social, dificuldade de acesso à água, moradia adequada, infraestrutura e serviços públicos fica ainda mais vulnerável diante do calor extremo, da escassez hídrica e de outros eventos climáticos. Por isso, a resposta à crise precisa ser também uma resposta às desigualdades.

A conversa colocou ainda um ponto importante: quando estão em jogo o direito à água e à vida, não há espaço para politicagem. O que está em jogo exige planejamento, recursos, articulação entre governos e participação da sociedade civil. Cada município e cada comunidade não podem ser deixados sozinhos para enfrentar uma emergência que é coletiva.

Entre os encaminhamentos estão a elaboração de uma cartilha de orientação para os municípios, prevista para outubro, o compartilhamento de estudos sobre a influência do Atlântico Sul no El Niño, ondas de calor e acesso à água, além da aproximação dos convidados com a Comissão Interinstitucional de Educação Ambiental.

Também entram na agenda a integração dos planos estadual e federal, a aceleração de obras de segurança hídrica, a ampliação da distribuição de caixas d’água para famílias isoladas, a instalação de novos dessalinizadores, a busca de recursos para recuperação de áreas próximas aos reservatórios da Embasa e a ampliação do diálogo com municípios e consórcios. Outro ponto é a necessidade de garantir recursos para estruturar a Defesa Civil municipal, inclusive com equipes permanentes.

O cenário exige atenção, mas preocupação sem ação não protege nenhum território. Para as OSCs, o desafio é seguir organizando a sociedade, cobrando políticas públicas, denunciando desigualdades e colocando o racismo climático no centro do debate. A Colegiada ABONG Bahia e Sergipe sai dessa conversa com uma tarefa clara: seguir articulando e transformando alerta em mobilização.

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