ELO

A Plataforma MROSC Bahia realizou, no dia 04 de fevereiro de 2026, uma reunião ampliada no Instituto Anísio Teixeira (IAT), em Salvador, reunindo organizações da sociedade civil de diferentes territórios do estado, com participação presencial e virtual de cerca de 20 pessoas. O encontro marcou uma interseção estratégica entre as OSCs que integram o Conselho Estadual, reafirmando a continuidade articulada da agenda do Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil (MROSC) como prioridade política.   

A reunião foi atravessada por reflexões profundas sobre o atual contexto político-institucional, especialmente em um ano eleitoral, marcado por processos de desarticulação, enfraquecimento dos espaços de participação social e desafios crescentes à atuação da sociedade civil. Nesse cenário, o fortalecimento dos pactos coletivos, da articulação política e da continuidade estratégica da Plataforma foi apontado como fundamental.

Como metodologia de escuta e leitura do momento vivido, as organizações participantes se apresentaram a partir de palavras-chave que sintetizam seus desafios e expectativas: desafio, resistência, resiliência, respeito, sustentabilidade financeira, esperança, convergência, comunicação, integração, articulação e superação. As falas evidenciaram o esforço coletivo para manter viva a atuação organizada da sociedade civil diante das adversidades políticas, institucionais e econômicas.

Ao longo do encontro, foi ressaltada a importância histórica da Plataforma MROSC Bahia como espaço de articulação, diálogo e incidência na formulação e no acompanhamento das políticas públicas. As organizações relembraram a trajetória da Plataforma desde os anos 2000 e seu papel estratégico no enfrentamento à descontinuidade de políticas e à fragilização dos mecanismos de participação social, tanto no estado quanto no país.

As intervenções também destacaram a centralidade da ocupação qualificada dos conselhos, fóruns e instâncias de controle social, reforçando que a incidência política exige organização coletiva, presença permanente e capacidade de leitura crítica do contexto. Foi consenso que muitos desses espaços foram perdidos nos últimos anos e que sua retomada passa, necessariamente, pelo fortalecimento das redes, pela comunicação estratégica e pela articulação territorial, compromissos reafirmados nesta reunião.

Outro eixo central do debate foi a sustentabilidade das organizações da sociedade civil, abordando a necessidade de equipes mínimas remuneradas, o acesso aos fundos públicos e privados e os limites dos atuais instrumentos de financiamento. Também foram debatidos os desafios impostos pelos editais, a burocracia excessiva e a urgência de políticas públicas estruturantes que reconheçam o papel estratégico das OSCs na democracia brasileira.

As falas reforçaram ainda o protagonismo da Plataforma MROSC Bahia como uma articulação comprometida, capaz de dialogar com o poder público, incidir no Conselho Nacional de Fomento e Colaboração (CONFOCO) e fortalecer alianças com redes, fóruns e movimentos sociais em âmbito nacional.

Candice Araújo destacou o compromisso do ELO Ligação e Organização com o fortalecimento da agenda MROSC no estado, reafirmando o apoio institucional à Plataforma como parte de uma construção coletiva de décadas. Segundo ela, a trajetória acumulada e o trabalho em rede foram fundamentais para que hoje ocupe a vice-presidência do Conselho Nacional, resultado de aprendizados, pactos e coragem política para reconstruir caminhos no atual cenário federal.

O encontro também reforçou que identificar e envolver novas organizações e pessoas na luta é parte constitutiva da metodologia de atuação das Organizações da Sociedade Civil. Nesse sentido, o ELO saudou a CEDITER, representada por Reginaldo Miranda, a Humana Brasil, com Teresa Almeida, e o IRPAA, na pessoa de Judenilton Souza, que se colocaram à disposição para contribuir com a coordenação da Plataforma MROSC Bahia. O momento foi marcado pelo reconhecimento das trajetórias históricas e pela afirmação de novas lideranças, entendendo que sempre é tempo de refazer estratégias e renovar pactos.

Ao final, foi reafirmado que a continuidade da Plataforma MROSC Bahia depende de pactos políticos, éticos e coletivos, da escuta ativa entre as organizações e do compromisso com uma agenda comum que transcenda conjunturas específicas. Em um cenário de desafios renovados, a reunião reafirmou que seguir articuladas é estratégia de resistência, mas também de construção de futuro, reconhecendo que defender o MROSC é defender a democracia, a participação social e o fortalecimento da sociedade civil organizada na Bahia.

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