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O ELO PROMOVE RODA DE CONVERSA PARA DISCUTIR SOBRE O RETORNO AO TRABALHO PRESENCIAL NAS OSCs

Na última terça-feira, 08 de fevereiro, o ELO iniciou sua jornada de atividades coletivas do ano 2022, realizando uma roda de conversa com tema “Retorno ao trabalho presencial e Protocolos de segurança sanitária em tempos de COVID-19”. O isolamento social demonstrou que o trabalho remoto é possível, e muitas OSCs já o adotaram de maneira estruturada. Mas como vai ser o retorno ao lugar de trabalho para aquelas instituições que têm interesse em voltar? 

O objetivo da roda de diálogo foi justamente debater essa questão, conhecendo a experiências e os protocolos de segurança e prevenção que vêm sendo  implementados por algumas Organizações da Sociedade Civil, com vistas à valorização da vida humana e à proteção das equipes e dos grupos acompanhados.

O evento contou com as apresentações de Sônia Gomes Mota, Diretora Executiva da CESE e Luana Carina Bianchin, agente da Comissão Pastoral da Terra, que compartilharam os protocolos de segurança criados e implementados pelas duas instituições. A roda foi mediada por Camila Veiga, Coordenadora Executiva do ELO, e contou com a participação de 52 representantes de 30 OSCs parceiras do projeto Pão Para o Mundo.

Após as apresentações, os/as demais participantes trouxeram para a roda as experiências vivenciadas nas instituições que representam. Teve quem manifestou alegria e alívio pela volta presencial e, ao contrário, quem partilhou o desafio de algumas equipes em sair do formato home-office, ou híbrido, seja pelos desafios em adequar as organizações com todos os requisitos de segurança, seja pela resistências das equipes em retornar ao modo presencial. 

O ponto em comum do debate foi o cuidado e a atenção das OSC às equipes, buscando encontrar caminhos que atendam às necessidades das organizações, mas sem deixar de observar a segurança e a melhoria da qualidade de vida das pessoas.

PROTOCOLOS DE SEGURANÇA SANITÁRIA DAS OSCs

Para minimizar os riscos de transmissão da Covid-19 no retorno das atividades presenciais, as OSCs estão realizando protocolos de prevenção que definem regras para manter a segurança coletiva de todos/as. Tanto a estrutura física dos escritórios e dos equipamentos, como os cuidados que as equipes precisam ter para se adequarem a este novo ambiente de trabalho. 

“A chegada da vacina foi fundamental para realizar a volta presencial, porém não é suficiente para proteger os funcionários/as que pertencem aos grupos de risco, ou que compartilham a própria moradia com pessoas que têm comorbidades”, destaca Sônia, explicando que o protocolo de segurança da CESE, antes de definir as estratégias para reduzir a contaminação da Covid-19, visou analisar as condições pessoais de cada funcionário. 

Segundo Sônia, além de garantir espaços e estruturas seguros, exigir a vacinação em dia e adotar vigilância nas aproximações físicas entre colegas, as coordenações das OSCs precisam considerar que a volta presencial é um momento de readaptação e inovação para os/as agentes. “Neste momento há fatores psicológicos que devem ser superados com sensibilidade, flexibilidade e paciência.  O trabalho remoto demonstrou que não há um modelo padrão para todos/as, e a retomada da convivência pode ser desafiador para alguns”, conclui Sônia. 

A volta às atividades presenciais representa uma renovação de esperança para as OSCs que realizam trabalho de campo junto com as comunidades urbanas ou rurais, porém ainda é um processo que está sendo realizado gradualmente. Durante o debate, ficou evidente que ainda há muitos desafios também na manutenção das atividades que ainda devem permanecer on-line.  “Ainda hoje, a gente assiste a uma significativa queda de participação da juventude nas atividades formativas”, conta com preocupação Marco Aurélio Souza, da CESEEP – Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular. 

Em resposta, Adriana Silva Alves, do Instituto de Estudos Socioeconômicos (INESC), revela que, na experiência deles, o auxílio de ferramentas interativas permitiu manter a participação do público jovem, contribuindo no processo de adaptação e permanência nas atividades formativas virtuais. Porém, a exclusão digital afetou muito o desenvolvimento das atividades com as comunidades mais afastadas e sem acesso a internet.  

Wellington Douglas, conta como a Comissão Pastoral da Terra reagiu para minimizar a desigualdade digital: “No interior do Mato Grosso, a gente se deparou com uma queda significativa da participação das famílias camponesas, pois nem telefone eles têm. Por isso investimos alguns recursos que eram destinados à compra de alimentos das atividades presenciais, para construção de um ponto de internet, por exemplo.”  

Todas as experiências apresentadas durante a roda, deixaram claro que a ausência da sociabilidade, tão característica do cotidiano e do trabalho das OSCs, fez com que sentimentos como tristeza e solidão fossem maximizados durante o isolamento social. Por isso, é extremamente necessário que, seja no formato presencial ou seja no remoto, as Organizações da Sociedade Civil sigam suas atividades na luta e na promoção de direitos fundamentais de diversos grupos que se encontram em situação de vulnerabilidade econômico e social, e que sejam apoiadas para encontrar estratégias sustentáveis, preventivas e seguras para todos e todas. 

“Agora mais que nunca, é preciso nos cuidar, para cuidar dos outros”

Se você ficou interessado/a pela roda de conversa pode ré assistir no nosso canal YouTube! https://youtu.be/3bKEInXyoe0

 

Por Angelica Tomassini, Assessora de Comunicação do ELO Ligação e Organização

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