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2ª turma do Espaço de Aprendizagem em Gestão de Pessoas reúne OSCs para refletir desafios e caminhos coletivos

Realizado ao longo de três dias, o Espaço de Aprendizagem em Gestão de Pessoas promoveu um importante momento de troca e construção coletiva entre organizações da sociedade civil, reunindo 11 OSCs inscritas e 17 participantes. A atividade contou com a condução das docentes Maíra Silva e Márcia de Câmera Campos, profissionais com ampla experiência no campo da gestão institucional e do fortalecimento de equipes. Maíra é bacharel e licenciada em Psicologia, com especialização em gestão de projetos, enquanto Márcia é bacharel em Ciências Sociais, com especialização em avaliação de programas e projetos sociais e políticas públicas, além de ampla trajetória em gestão de projetos e nas áreas administrativa e financeira de organizações da sociedade civil.

A iniciativa teve como foco central a reflexão sobre desafios estruturais da gestão de pessoas, fortalecendo o diálogo e a busca por soluções compartilhadas no campo institucional.

A programação foi estruturada a partir da apresentação dos objetivos do encontro e da contextualização dos temas a serem trabalhados, criando um ambiente de escuta e participação desde o início. Entre os principais pontos debatidos, destacaram-se desafios recorrentes enfrentados pelas organizações, como questões relacionadas à remuneração, sobrecarga de trabalho, insegurança institucional e limitações de espaço e infraestrutura. A falta de recursos também apareceu de forma recorrente como o principal desafio enfrentado pelas OSCs, atravessando diferentes dimensões da gestão e impactando diretamente a sustentabilidade das organizações. Também foram discutidos os impactos da redução de custos e do acesso restrito a financiamentos, especialmente no contexto internacional, evidenciando a necessidade de pensar na sustentabilidade a longo prazo.

Ao longo das atividades, Maíra Silva trouxe estudos de caso para subsidiar os trabalhos em grupo, estimulando a análise prática de situações vivenciadas pelas organizações e contribuindo para a construção coletiva de soluções. Já Márcia de Câmera Campos apresentou reflexões sobre contratação, segurança empregatícia e pejotização nas OSCs como temática central, aprofundando o debate sobre os desafios e as implicações dessas práticas no cotidiano das equipes.

A metodologia priorizou a participação ativa, com dinâmicas em grupo que estimularam a análise das causas dos desafios, a construção de estratégias de superação e a identificação de lacunas entre as dimensões programáticas e financeiras das organizações. Os participantes foram divididos em grupos para aprofundar essas reflexões, considerando ainda aspectos como cultura institucional, áreas de atuação e práticas de cuidado com as equipes.

Outro eixo importante das discussões foi a centralidade da diversidade no ambiente de trabalho. Foi destacado que a troca de diferentes perspectivas impulsiona a criação de novas ideias e soluções, ao mesmo tempo em que reforça o comprometimento das organizações com as causas que defendem. A promoção de ambientes diversos também contribui para a inibição de comportamentos depreciativos e para a construção de espaços mais inclusivos, plurais e seguros, que respeitam as diferenças.

As reflexões apontaram ainda que equipes diversas ampliam a conexão com públicos igualmente diversos, fortalecendo a legitimidade das organizações. Além disso, a diversidade foi associada à melhoria da capacidade de gestão e ao aumento da produtividade das equipes. Nesse sentido, foi reafirmado que promover inclusão não é apenas uma escolha estratégica, mas um dever das organizações da sociedade civil, alinhado ao compromisso de construir, no cotidiano institucional, o ideal de mundo que se busca transformar.

Outro ponto de destaque foi o debate sobre identidade organizacional e coerência institucional, reforçando a importância de alinhar discurso e prática, especialmente no que diz respeito à transparência e aos valores defendidos pelas OSCs. A comunicação também apareceu como elemento estratégico, sendo apontada como chave para fortalecer o trabalho em rede e a incidência das organizações.

O debate foi bastante intenso, especialmente em torno dos desafios relacionados ao financiamento das organizações, seja para a execução de programas, seja para a manutenção das equipes. As trocas evidenciaram tensões entre recursos destinados a projetos e a necessidade de investimento institucional, além das dificuldades enfrentadas para garantir condições adequadas de trabalho. Nesse contexto, ganhou força a reflexão sobre o papel das organizações no enfrentamento dessas limitações e na construção de alternativas sustentáveis.

As discussões também apontaram para a centralidade de enfrentar o histórico desequilíbrio entre financiamento institucional e de projetos, destacando a importância de estratégias mais integradas de mobilização de recursos. Foi ressaltado, ainda, o papel de iniciativas como as desenvolvidas pelo ELO na promoção de escuta qualificada e no apoio às organizações para pensar caminhos mais sustentáveis, considerando os desafios atuais do campo e a necessidade de fortalecer práticas institucionais mais coerentes e resilientes.

O encontro reafirma o papel dos espaços de aprendizagem como ambientes fundamentais para o fortalecimento institucional das OSCs, promovendo escuta, troca de experiências e construção conjunta de respostas aos desafios contemporâneos da gestão de pessoas na sociedade civil.

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