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Encontro virtual retomou os compromissos da Carta Política, promoveu reflexões sobre os dados eleitorais e avançou na articulação regional do GT.

O GT de Mulheres da Plataforma MROSC realizou, na tarde de 20 de agosto, o encontro virtual “Mulheres: presença, voz e poder”, reunindo cerca de 25 mulheres das cinco regiões do país. A atividade deu continuidade às articulações iniciadas no Encontro Nacional de Mulheres da Plataforma MROSC, realizado em março, em Brasília, e reafirmou o compromisso coletivo expresso na frase que orientou o diálogo: “Queremos mais mulheres em todos os tipos de poder”.

 

O encontro contou com a participação de representantes de organizações que integram o Comitê Facilitador, entre elas o ELO,  Cáritas Brasileira, GIFE, Esquel, Unicopas e Abong. A proposta foi retomar os principais compromissos da Carta Política das Mulheres, refletir sobre a presença feminina nas eleições de 2026 e fortalecer a articulação regional do GT.

 

A abertura foi marcada por um momento de acolhimento, no qual cada mulher compartilhou uma palavra para expressar o que trazia para a atividade. A partir dessa escuta, o encontro foi conduzido como um espaço de troca, reflexão conjunta e reconhecimento das diferentes trajetórias das participantes.

 

Na sequência, foram retomados os compromissos da Carta Política, especialmente a defesa do poder real de decisão para as mulheres, da diversidade racial nos espaços de governança, das condições necessárias para participar e permanecer nesses espaços e do fortalecimento da incidência política nos territórios. O debate reforçou que não basta ampliar numericamente a presença das mulheres: é necessário assegurar condições para que elas influenciem as agendas, participem das decisões e exerçam efetivamente o poder.

 

Os dados sobre as candidaturas registradas nas eleições de 2026, consultados no Portal de Dados Abertos do Tribunal Superior Eleitoral em 19 de agosto, provocaram diferentes reflexões. Em todas as regiões, as mulheres representavam pouco mais de um terço das candidaturas, com percentuais entre 33,8% e 36,1%. Embora o Sudeste apresentasse o maior número absoluto de candidatas, com 2.364 registros, também possuía o menor percentual de participação feminina entre as regiões, com 33,8%.

 

O recorte de cor e raça do conjunto das candidaturas também evidenciou diferenças importantes. Enquanto as candidaturas brancas predominavam nas regiões Sul e Sudeste, as candidaturas pardas apresentavam maior participação nas regiões Norte e Nordeste. A análise reforçou a necessidade de considerar as desigualdades de gênero e raça de forma articulada e de observar as particularidades de cada região na construção das estratégias da Plataforma MROSC.

 

Durante a conversa, seis participantes revelaram já ter vivenciado a experiência de serem candidatas. Os relatos apresentaram aprendizados, desafios e obstáculos enfrentados pelas mulheres que se colocam à disposição para ocupar espaços de representação política. Como desdobramento, o ELO pretende sistematizar posteriormente essas experiências, valorizando suas trajetórias e incentivando outras mulheres da rede a também se desafiarem a ocupar espaços de liderança e decisão.

 

Das 36 mulheres que participaram do Encontro Nacional, 34 se inscreveram para a atividade virtual. Entre elas, 32 foram distribuídas nos grupos regionais: cinco do Norte, quatro do Centro-Oeste, 12 do Nordeste, oito do Sudeste e três do Sul. As outras duas inscritas integraram a equipe de condução: Candice Araújo, responsável pela facilitação, e Clicia Roberta, que atuou na comunicação e na gestão da plataforma virtual. Ao todo, o encontro contou com a participação efetiva de 25 mulheres.

 

“Em atividades virtuais sempre há alguma diferença entre o número de inscrições e a participação efetiva, mas considero que tivemos um resultado muito positivo. Das 36 mulheres que estiveram no Encontro Nacional, 34 se inscreveram para essa continuidade e 25 participaram. Fico muito feliz com o resultado e espero que elas também tenham sentido essa mesma realização. Estamos construindo um processo que não termina em uma reunião: queremos fortalecer vínculos, ampliar a participação e criar condições para que mais mulheres estejam nos espaços de decisão”, avalia Candice Araújo, do ELO – Ligação e Organização, responsável pela facilitação do encontro.

 

As participantes foram divididas em grupos regionais para refletir sobre o que os dados revelam em cada território, os obstáculos que ainda limitam a participação e o poder de decisão das mulheres, as ações que podem fazer a Carta Política ganhar vida nas regiões e a indicação de uma segunda representante regional para o GT. Embora o tempo destinado ao trabalho em grupo tenha sido reduzido, a divisão territorial foi considerada estratégica para identificar especificidades, desafios e possibilidades de atuação em cada região.

 

Para assegurar a continuidade da escuta, as mulheres terão mais uma semana para complementar os registros e acrescentar contribuições às perguntas trabalhadas. A atividade também resultou na indicação de novas participantes para compor a segunda representação de cada região no GT, ampliando a capacidade de articulação, mobilização e acompanhamento das ações nos territórios. Acolhemos: Heloneida Pereira (Norte), Erika Correia (Nordeste) , Carla Rodrigues (Centro Oeste), Eliane  Brochet (Sul), Marcia Santana ( Sudeste).

 

As contribuições reunidas no encontro serão incorporadas ao processo de elaboração da Política da Diversidade da Plataforma MROSC, com foco em gênero e raça, um dos principais produtos que o grupo pretende concluir em 2027. A política está organizada em três eixos: Incidência Política e Democracia; Diversidade, Representatividade e Governança Interna; e Sustentabilidade Política e Cultura de Cuidado.

 

O encontro reafirmou que a construção dessa política deve caminhar junto às demais atividades articuladas, fomentadas e desenvolvidas colaborativamente pelo GT. Com presença, diversidade, condições de permanência e poder real de decisão, as mulheres da Plataforma MROSC seguem em movimento para ocupar, transformar e democratizar todos os espaços de poder.

 

Texto: Candice Araújo | ELO Ligação e Organização 

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