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ELO participa de encontro nacional da Abong e reforça estratégias para a defesa da democracia e o fortalecimento da sociedade civil

Segue o texto com a inclusão do debate sobre o diagnóstico das associadas da Abong, alinhado ao restante da matéria:


Nos dias 29 e 30 de maio, o Instituto Pólis, em São Paulo, sediou o Encontro Nacional da Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais (Abong), reunindo representantes de organizações associadas de todo o país, integrantes da Diretoria Executiva, Conselho Diretor, Conselho Fiscal, Conselho de Ética, Escritório Nacional e Rede de Comunicadoras para dois dias de intensos debates sobre democracia, participação social, comunicação política e fortalecimento da sociedade civil organizada.

Representando o ELO Ligação e Organização, participaram da atividade a coordenadora executiva Camila Veiga, integrante da Diretoria Executiva da Abong, e a assessora de comunicação Elza Montal, acompanhando as discussões e contribuindo para os debates sobre incidência política, comunicação estratégica e fortalecimento das redes de organizações da sociedade civil.

O encontro teve como objetivo fortalecer a atuação em rede das organizações associadas e contribuir para a construção coletiva da nova Carta Política da Abong, documento que orientará o posicionamento da associação diante dos desafios relacionados à democracia, à garantia de direitos, à participação social e ao fortalecimento das organizações da sociedade civil nos próximos anos.

A programação foi aberta com o painel “Análise de Conjuntura e Cenários Eleitorais”, conduzido por Débora Dias, Nivete Azevedo e Natália Neris, da Pacto pela Democracia. O debate trouxe reflexões sobre o atual cenário político brasileiro, os desafios impostos pela desinformação, a crescente polarização política, a atuação da extrema direita nos ambientes digitais, as perspectivas para o processo eleitoral de 2026 e os impactos dessas disputas para a democracia e para a sociedade civil organizada.

As convidadas destacaram que a defesa da democracia exige mais do que resistência aos ataques autoritários. É necessário construir narrativas capazes de dialogar com a população sobre questões concretas do cotidiano, demonstrando como as políticas públicas impactam diretamente a vida das pessoas. A discussão também trouxe reflexões sobre os riscos da disseminação de desinformação impulsionada por novas tecnologias, especialmente diante do avanço da inteligência artificial no processo eleitoral.

Outro momento importante da programação foi a apresentação e o debate em torno do diagnóstico das organizações associadas à Abong, levantamento que reúne informações sobre perfil institucional, desafios, potencialidades, sustentabilidade financeira, estratégias de incidência e comunicação das organizações da rede. A análise permitiu identificar tendências comuns entre as associadas, evidenciando desafios relacionados à diversificação de recursos, fortalecimento da atuação territorial, renovação de lideranças e ampliação da participação social. O diagnóstico também serviu como base para orientar estratégias coletivas da associação nos próximos anos, fortalecendo a capacidade de articulação, incidência política e apoio às organizações nos diferentes territórios do país.

Ao longo dos dois dias, as organizações associadas participaram de grupos de trabalho voltados à construção de estratégias para ampliar a incidência política da Abong, fortalecer sua presença nos territórios e consolidar ações coletivas capazes de responder aos desafios do atual contexto político e social.

Entre os temas debatidos estiveram a democratização do acesso aos financiamentos destinados às organizações da sociedade civil, a ampliação da presença da Abong nos territórios, a construção de agendas comuns entre as associadas, o fortalecimento da capacidade de mobilização política e a necessidade de ampliar o diálogo com setores da sociedade que historicamente permanecem distantes das organizações.

A comunicação ocupou lugar de destaque em praticamente todas as discussões. Mais do que uma ferramenta de divulgação institucional, foi reconhecida como uma estratégia política essencial para a defesa da democracia, dos direitos humanos e da participação social. As reflexões apontaram para a necessidade de fortalecer narrativas próprias, capazes de dialogar com diferentes públicos, enfrentar a desinformação e aproximar o debate político das realidades vividas nos territórios.

Os debates também ressaltaram que as organizações precisam avançar da lógica da reação permanente às fake news para a construção de agendas propositivas que inspirem esperança, fortaleçam vínculos comunitários e mobilizem a sociedade em torno de projetos democráticos de futuro. A combinação entre presença digital e mobilização presencial foi apontada como um dos caminhos centrais para ampliar o alcance das mensagens e fortalecer a incidência política das organizações.

Outro tema recorrente foi a importância da memória coletiva como instrumento de mobilização social. As participantes destacaram a necessidade de preservar e compartilhar histórias de luta, conquistas e resistência, especialmente em um contexto de disputas narrativas que buscam deslegitimar direitos historicamente conquistados pelos movimentos sociais e pela sociedade civil organizada.

No âmbito da Rede de Comunicadoras da Abong, foram debatidas propostas voltadas à ampliação da acessibilidade nas atividades da associação, ao fortalecimento dos espaços de cuidado coletivo, à participação mais ativa das associadas nos processos de construção política e à criação de estratégias de comunicação mais conectadas às demandas dos territórios e das populações com as quais as organizações atuam.

Os debates também ressaltaram a necessidade de combinar presença digital com trabalho de base e mobilização territorial, fortalecendo o diálogo direto com as comunidades e valorizando experiências concretas vividas nos territórios. A construção de narrativas conectadas às demandas da população, capazes de gerar identificação, esperança e engajamento, apareceu como um dos grandes desafios para o campo democrático nos próximos anos.

Entre os encaminhamentos construídos coletivamente, destacaram-se propostas para fortalecer a articulação territorial da Abong, ampliar o intercâmbio entre organizações de diferentes regiões do país e potencializar iniciativas já existentes nas redes locais. A construção de agendas compartilhadas, a circulação de experiências e a atuação em rede foram apontadas como elementos fundamentais para ampliar a capacidade de incidência da associação e fortalecer a atuação das organizações diante do cenário eleitoral que se aproxima.

Para Camila Veiga, coordenadora executiva do ELO e integrante da Diretoria Executiva da Abong, a participação no encontro reafirma a importância da articulação nacional das organizações da sociedade civil em um contexto marcado por profundas disputas políticas e narrativas.

“O fortalecimento das organizações da sociedade civil passa necessariamente pela construção coletiva de estratégias, pela defesa intransigente da democracia e pela ampliação da participação social. Espaços como este permitem que possamos refletir sobre os desafios do presente e construir respostas conjuntas para o futuro”, destacou.

Já para Elza Montal, assessora de comunicação do ELO, os debates evidenciaram que a comunicação ocupa hoje um papel central na defesa da democracia e na mobilização social.

“Vivemos um momento em que a disputa política passa também pela disputa de narrativas. Por isso, fortalecer a comunicação das organizações da sociedade civil é fortalecer a própria democracia. O encontro reafirmou a necessidade de construirmos estratégias coletivas, conectadas aos territórios e capazes de traduzir para a população os impactos concretos das políticas públicas e da participação social. Esse é um desafio central para os próximos anos e uma agenda prioritária para quem atua na defesa de direitos”, afirmou.

O encerramento do encontro foi marcado pela apresentação dos principais encaminhamentos construídos durante os grupos de trabalho, divididos por territórios, e pela reafirmação do compromisso das organizações associadas com a defesa da democracia, dos direitos humanos e da participação social. As discussões evidenciaram a importância de fortalecer a atuação territorial da Abong, ampliar as estratégias coletivas de comunicação e incidência e aprofundar a articulação entre organizações de diferentes regiões do país.

A participação no encontro representou, portanto, uma oportunidade de contribuir para reflexões fundamentais sobre o papel da sociedade civil no atual contexto político brasileiro e de fortalecer alianças necessárias para enfrentar os desafios que se apresentam no horizonte. Mais do que um espaço de análise de conjuntura, o momento reafirmou a potência da ação coletiva e o papel estratégico das organizações da sociedade civil na construção de um país mais democrático, justo e participativo.

 

IMAGENS: Maicon Douglas

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