Segue o texto com a inclusão do debate sobre o diagnóstico das associadas da Abong, alinhado ao restante da matéria:
Nos dias 29 e 30 de maio, o Instituto Pólis, em São Paulo, sediou o Encontro Nacional da Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais (Abong), reunindo representantes de organizações associadas de todo o país, integrantes da Diretoria Executiva, Conselho Diretor, Conselho Fiscal, Conselho de Ética, Escritório Nacional e Rede de Comunicadoras para dois dias de intensos debates sobre democracia, participação social, comunicação política e fortalecimento da sociedade civil organizada.
Representando o ELO Ligação e Organização, participaram da atividade a coordenadora executiva Camila Veiga, integrante da Diretoria Executiva da Abong, e a assessora de comunicação Elza Montal, acompanhando as discussões e contribuindo para os debates sobre incidência política, comunicação estratégica e fortalecimento das redes de organizações da sociedade civil.
O encontro teve como objetivo fortalecer a atuação em rede das organizações associadas e contribuir para a construção coletiva da nova Carta Política da Abong, documento que orientará o posicionamento da associação diante dos desafios relacionados à democracia, à garantia de direitos, à participação social e ao fortalecimento das organizações da sociedade civil nos próximos anos.
A programação foi aberta com o painel “Análise de Conjuntura e Cenários Eleitorais”, conduzido por Débora Dias,


Outro momento importante da programação foi a apresentação e o debate em torno do diagnóstico das organizações associadas à Abong, levantamento que reúne informações sobre perfil institucional, desafios, potencialidades, sustentabilidade financeira, estratégias de incidência e comunicação das organizações da rede. A análise permitiu identificar tendências comuns entre as associadas, evidenciando desafios relacionados à diversificação de recursos, fortalecimento da atuação territorial, renovação de lideranças e ampliação da participação social. O diagnóstico também serviu como base para orientar estratégias coletivas da associação nos próximos anos, fortalecendo a capacidade de articulação, incidência política e apoio às organizações nos diferentes territórios do país.
Ao longo dos dois dias, as organizações associadas participaram de grupos de trabalho voltados à construção de estratégias para ampliar a incidência política da Abong, fortalecer sua presença nos territórios e consolidar ações coletivas capazes de responder aos desafios do atual contexto político e social.
Entre os temas debatidos estiveram a democratização do acesso aos financiamentos destinados às organizações da sociedade civil, a ampliação da presença da Abong nos territórios, a construção de agendas comuns entre as associadas, o fortalecimento da capacidade de mobilização política e a necessidade de ampliar o diálogo com setores da sociedade que historicamente permanecem distantes das organizações.

Os debates também ressaltaram que as organizações precisam avançar da lógica da reação permanente às fake news para a construção de agendas propositivas que inspirem esperança, fortaleçam vínculos comunitários e mobilizem a sociedade em torno de projetos democráticos de futuro. A combinação entre presença digital e mobilização presencial foi apontada como um dos caminhos centrais para ampliar o alcance das mensagens e fortalecer a incidência política das organizações.
Outro tema recorrente foi a importância da memória coletiva como instrumento de mobilização social. As participantes destacaram a necessidade de preservar e compartilhar histórias de luta, conquistas e resistência, especialmente em um contexto de disputas narrativas que buscam deslegitimar direitos historicamente conquistados pelos movimentos sociais e pela sociedade civil organizada.

No âmbito da Rede de Comunicadoras da Abong, foram debatidas propostas voltadas à ampliação da acessibilidade nas atividades da associação, ao fortalecimento dos espaços de cuidado coletivo, à participação mais ativa das associadas nos processos de construção política e à criação de estratégias de comunicação mais conectadas às demandas dos territórios e das populações com as quais as organizações atuam.
Os debates também ressaltaram a necessidade de combinar presença digital com trabalho de base e mobilização territorial, fortalecendo o diálogo direto com as comunidades e valorizando experiências concretas vividas nos territórios. A construção de narrativas conectadas às demandas da população, capazes de gerar identificação, esperança e engajamento, apareceu como um dos grandes desafios para o campo democrático nos próximos anos.

Para Camila Veiga, coordenadora executiva do ELO e integrante da Diretoria Executiva da Abong, a participação no encontro reafirma a importância da articulação nacional das organizações da sociedade civil em um contexto marcado por profundas disputas políticas e narrativas.
“O fortalecimento das organizações da sociedade civil passa necessariamente pela construção coletiva de estratégias, pela defesa intransigente da democracia e pela ampliação da participação social. Espaços como este permitem que possamos refletir sobre os desafios do presente e construir respostas conjuntas para o futuro”, destacou.
Já para Elza Montal, assessora de comunicação do ELO, os debates evidenciaram que a comunicação ocupa hoje um papel central na defesa da democracia e na mobilização social.
“Vivemos um momento em que a disputa política passa também pela disputa de narrativas. Por isso, fortalecer a comunicação das organizações da sociedade civil é fortalecer a própria democracia. O encontro reafirmou a necessidade de construirmos estratégias coletivas, conectadas aos territórios e capazes de traduzir para a população os impactos concretos das políticas públicas e da participação social. Esse é um desafio central para os próximos anos e uma agenda prioritária para quem atua na defesa de direitos”, afirmou.
O encerramento do encontro foi marcado pela apresentação dos principais encaminhamentos construídos durante os grupos de trabalho, divididos por territórios, e pela reafirmação do compromisso das organizações associadas com a defesa da democracia, dos direitos humanos e da participação social. As discussões evidenciaram a importância de fortalecer a atuação territorial da Abong, ampliar as estratégias coletivas de comunicação e incidência e aprofundar a articulação entre organizações de diferentes regiões do país.

IMAGENS: Maicon Douglas







