Nos dias 16 e 17 de setembro de 2026, participei, como integrante da Diretoria Executiva da Abong, da 12ª Reunião Ordinária da Comissão Nacional para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (CNODS), em Brasília. Foi minha primeira participação presencial na Comissão, espaço de diálogo entre governo e sociedade civil sobre a implementação da Agenda 2030 no Brasil.
A reunião reuniu debates sobre a conjuntura internacional, os desafios dos ODS e as desigualdades brasileiras, com a apresentação do Observatório Brasileiro das Desigualdades 2026, do Relatório Luz 2026 e do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal 2026, além de uma análise sobre geopolítica mundial, Sistema ONU e agenda futura.
Os dados apresentados evidenciam que, apesar dos investimentos e de avanços em políticas públicas, o Brasil ainda convive com desigualdades profundas entre regiões e grupos sociais. Mulheres, pessoas negras e populações de territórios historicamente menos atendidos seguem enfrentando maiores barreiras de acesso a direitos e oportunidades.
Os relatórios reforçam a necessidade de acompanhar os ODS a partir dos territórios e dos recortes de raça, gênero, geração e pertencimento territorial. As médias nacionais não revelam, sozinhas, quem continua sendo deixado para trás.
Entre os principais encaminhamentos da 1ª Conferência Nacional dos ODS, destacam-se:
- Criação e fortalecimento dos Conselhos ODS nos níveis municipal, estadual e federal, com participação efetiva da sociedade civil.
- Garantia de conselhos territoriais deliberativos, com paridade de raça e gênero.
- Ampliação da produção de dados sobre grupos prioritários.
- Integração de políticas de inclusão socioeconômica, educação, proteção social, justiça climática e enfrentamento ao racismo.
- Criação de uma estrutura nacional de coordenação participativa da Agenda 2030.
- Garantia de financiamento público contínuo e vinculação dos ODS aos instrumentos de planejamento e orçamento, como PPA, LDO e LOA.
A reunião também colocou em pauta os desafios de funcionamento da CNODS, incluindo seu plano de trabalho, estrutura e seleção de novas integrantes. O debate evidenciou a necessidade de aprimorar os processos internos, garantir continuidade às atividades e ampliar as condições de participação da sociedade civil. Não há implementação da Agenda 2030 sem orçamento, estrutura institucional e compromisso político. Os diagnósticos precisam se transformar em planejamento, políticas públicas e ações concretas de enfrentamento às desigualdades.
Para a Abong, fortalecer a CNODS é também fortalecer a democracia participativa e reconhecer a sociedade civil como parte fundamental da construção, do acompanhamento e do controle social das políticas públicas.
Seguiremos contribuindo para que a Agenda 2030 não seja apenas uma carta de compromissos, mas se traduza em direitos, orçamento e políticas públicas. Afinal, não deixar ninguém para trás exige reconhecer quem são as pessoas atingidas, onde estão e quais desigualdades precisam ser enfrentadas.








